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O Brasil pode ser
considerado um país privilegiado quando se trata de possuir
escritores e pensadores espíritas preocupados com as mais variadas
questões que afligem a todos os indivíduos nos dias atuais, sob a
ótica da Doutrina Espírita.
Este trabalho de
aplicação dos conceitos doutrinários em questões palpitantes de
ordem geral é uma importante tarefa que somente pode ser delegada
àqueles que estejam preparados para o mister, já que á a partir do
posicionamento destes espíritas que muitos seguidores e
simpatizantes da doutrina formam seu ponto de vista sobre diversos
assuntos.
Caso nos propuséssemos
a falar sobre todos os pensadores espíritas que se prestaram a esta
tarefa, necessitaríamos investir paginas e paginas, tamanha a
profusão de companheiros aptos a se enquadrarem neste conceito, além
do que correríamos o risco de cometer alguma injustiça omitindo um
ou outro nome que possa ser considerado relevante.
Optamos por escolher
um escritor que teve participação fundamental na história do
Movimento Espírita Nacional. Levamos em consideração, além de seu
profundo conhecimento doutrinário, sua reconhecida imparcialidade,
que o permitia trafegar com segurança entre os “místicos” e os
“científicos”, sua capacidade de discernimento e sua visão do
Espiritismo, que ele considerava uma doutrina partícipe da historia
da Humanidade, e não um fato isolado no contexto dos acontecimentos,
muito embora se trate de um evento diferenciado.
Trata-se do professor,
jornalista, poeta, escritor, tradutor, repórter, redator, cronista e
filosofo paulista José Herculano Pires (1914-1979).
Sua “veia” poética se
manifestou quando ainda era criança, aos nove anos. Aos dezesseis
publicou seu primeiro livro, a coleção de contos Sonhos Azuis. Aos
dezoito, o livro de poemas e sonetos “Coração”.
Em 1940, residindo em
Marilia –SP, ele comprou o “Diário Paulista”, e, por meio do jornal,
promoveu um movimento literário naquela cidade.
Seis anos depois,
morando na cidade de São Paulo, lançou seu primeiro romance “O
Caminho do Meio”. Nesta época já era espírita; contudo, não se
restringia, como nunca se restringiu, a escrever exclusivamente
sobre Espiritismo.
Graduou-se em
Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), em 1958. Em seguida,
passou a exercer a cadeira de Filosofia da Educação na Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Suas atividades na área
pedagógica não cessavam. Lecionou Psicologia no Instituto Brasileiro
de Filosofia; Sociologia no curso de jornalismo do Sindicato dos
Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, no qual exerceu a
função de presidente; e Parapsicologia no Instituto Paulista da
Parapsicologia, onde também exerceu o cargo de presidente.
Foi membro da Academia
Paulista de Jornalismo; fundador do Clube dos Jornalistas Espíritas
de São Paulo, e diretor e conselheiro da União Brasileira de
Escritores.
Em 1964, ocorreu a
chamada Revolução de 64. Naquele tempo, Herculano Pires ocupava o
cargo de chefe do sub-gabinete da Casa Civil da Presidência da
República, quando o presidente João Belchior Marques Goulart
(1918-1976) foi deposto pelo golpe militar.
No jornal “Diários
Associados”, onde também exerceu as funções de critico literário,
manteve por vinte anos uma coluna tratando sobre questões
relacionadas ao Espiritismo, usando o pseudônimo “Irmão Saulo”. Por
quatro anos realizou uma parceria com Chico Xavier, escrevendo com o
mesmo a coluna “Chico Xavier Pede Licença”.
Foi diretor-fundador
da “Revista Educação Espírita”, publicada pela “Edicel”.
Traduziu as obras
básicas de Allan Kardec e doou as traduções para editoras espíritas
no Brasil, Portugal, Argentina e Espanha.
Foi autor de oitenta e
um livros, tendo escrito, além de livros espíritas, sobre Filosofia,
História, Psicologia, Pedagogia e Parapsicologia.
Apreciamos toda a sua
obra, especialmente um trabalho que merece alguns comentários:
trata-se de “O Espírito e o Tempo – Introdução Antropológica ao
Espiritismo”. Sintetizá-lo em poucas palavras é tarefa impossível,
recomendamos sua leitura aos interessados em uma abordagem
histórica, filosófica e conceitual da Mediunidade e do Espiritismo
na história humana.
Pelos temas que
abordava, Herculano Pires conseguiu atrair a atenção de vários
intelectuais para o Espiritismo. O escritor estava sempre
atualizando suas obras e artigos para dar um tratamento equilibrado
e racional acerca dos mais variados e atuais assuntos, sempre
adequando-os à ótica da Doutrina Espírita.
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