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Converter Pelo
Medo?
(Noticia
publicada no jornal “O Globo”, do Rio de Janeiro, em 8 de
Abril de 1942)
Porto Novo, 8
(Especial para O Globo): “Um episódio curiosíssimo, ao mesmo
tempo trágico e pitoresco, registrou-se recentemente em Vila
Laroca, localidade situada nas imediações desta cidade,
provocando os mais variados comentários. O fato ocorreu
precisamente na ocasião em que o padre da paróquia local fazia
o sermão, durante a procissão do Senhor Morto. Justamente na
hora em que o sacerdote exclamava que” o diabo havia de
aparecer à frente das pessoas que não compareciam à igreja “,
surgiu no meio da procissão, espantado e espavorido, um burro
bravo (chucro, segundo a expressão de alguns). O povo,
julgando que o muar ali aparecera como representante do
demônio, abandonou a cerimônia em meio de grande pânico,
atirando-se uns de encontro aos outros, na ânsia de abandonar
aquele local o mais depressa possível. Em conseqüência,
ficaram feridas numerosas senhoras e crianças”.
(1)
*
Deve-se evitar
tudo o que pode superexcitar a imaginação
(2).
Sabem-se os acidentes que o medo pode ocasionar e haveria
menos imprudência se se conhecessem todos os casos de loucura
e de epilepsia que tiveram sua origem nos contos de lobisomens
e de espantalhos.
Segundo a
Igreja, Satã, o chefe ou o rei dos demônios é um ser real,
fazendo exclusivamente o mal, sem que nada lhe possa obstar a
ação maléfica. Segundo o Espiritismo, nem os anjos, nem os
demônios são seres à parte da criação, que é una para todos os
seres inteligentes. Deus os criou perfectíveis, dando-lhes por
objetivo a perfeição, que deve ser conquistada pelo seu
trabalho pessoal. Disso resulta que existem Espíritos em todos
os graus de adiantamento moral e intelectual. Nas classes
inferiores existem Espíritos ainda profundamente inclinados ao
mal, situação que vai perdurar até que a razão e a dor os
façam mudar de atitude. O progresso é inevitável; a
permanência no erro pode durar muito tempo; jamais para
sempre.
Editor
(1) Almerindo M. de Castro, “Lições da Vida”.
(2) Allan Kardec, “O Céu E O Inferno”.
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