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 ANO  11 - Nº. 121          Janeiro de 2010
 
 
  EDITORIAL  

        

Medos

Uma peste incontrolável estava se espalhando pela Europa, matando milhares de pessoas em vários países. Quando chegou a um reino muito especial, cujo soberano, um homem muito bom, fez questão de ir pessoalmente conversar com a peste e pedir que não atacasse ninguém de seu reino.

Depois de longa negociação, a peste cedeu:

- Está bem, vou levar apenas cem pessoas do seu reino. Queria levar pelos menos cinco mil, mas como você é um grande soberano e seu reino é formado de pessoas muito bondosas, vou levar apenas cem.

O soberano aceitou. E a peste começou a trabalhar. Morreram dez, cinqüenta cem, num crescendo até chegar a cinco mil. O soberano já estava desesperado quando anunciaram que a peste queria vê-lo.

- Venho me despedir de vossa majestade – disse a peste.

Irritado, o soberano pediu, então, explicações:

- Peste, você me enganou! Disse que ia levar somente cem pessoas de meu reino e matou cinco mil!

Ao que a peste, serenamente, respondeu:

- Não, eu matei apenas cem pessoas, como havia prometido. As outras quatro mil e novecentas morreram de medo.

*

Manoel Philomeno de Miranda, falando sobre medo e responsabilidade (1), assim se expressou: - “O medo é agente de males diversos, que dizimam vidas e deformam caracteres, gerando insegurança e timidez ou levando a atos de violência irracional. Originário no Espírito enfermo, pode ser examinado como decorrência de três causas fundamentais: a) conflitos herdados da existência passada, quando os atos reprováveis e criminosos desencadearam sentimentos de culpa e arrependimento que não se consubstanciaram em ações reparadoras; b) sofrimentos vigorosos que foram vivenciados no além-túmulo, quando as vítimas que ressurgiram da morte açodaram as consciências culpadas, levando-as a martírios inomináveis, ou quando se arrojaram contra quem as infelicitou, em cobranças implacáveis; c) desequilíbrio da educação na infância atual, com o desrespeito dos genitores e familiares pela personalidade em formação, criando fantasmas e fomentando o temor”.

O medo torna o homem irresponsável, fraco e pusilâmine; cabe a ele o dever de considerar frontalmente a questão e empenhar-se por vencê-lo com todos os valiosos recursos ao alcance, como sejam a fé, a oração e a prática de atos nobilitantes. O medo recua, na razão direta em que a disposição de atuar se faz mais forte.

Editor

(1) “Temas da Vida e da Morte” – Divaldo Franco

 

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