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Medos
Uma peste
incontrolável estava se espalhando pela Europa, matando
milhares de pessoas em vários países. Quando chegou a um reino
muito especial, cujo soberano, um homem muito bom, fez questão
de ir pessoalmente conversar com a peste e pedir que não
atacasse ninguém de seu reino.
Depois de longa
negociação, a peste cedeu:
- Está bem, vou
levar apenas cem pessoas do seu reino. Queria levar pelos
menos cinco mil, mas como você é um grande soberano e seu
reino é formado de pessoas muito bondosas, vou levar apenas
cem.
O soberano
aceitou. E a peste começou a trabalhar. Morreram dez,
cinqüenta cem, num crescendo até chegar a cinco mil. O
soberano já estava desesperado quando anunciaram que a peste
queria vê-lo.
- Venho me
despedir de vossa majestade – disse a peste.
Irritado, o
soberano pediu, então, explicações:
- Peste, você me
enganou! Disse que ia levar somente cem pessoas de meu reino e
matou cinco mil!
Ao que a peste,
serenamente, respondeu:
- Não, eu matei
apenas cem pessoas, como havia prometido. As outras quatro mil
e novecentas morreram de medo.
*
Manoel Philomeno
de Miranda, falando sobre medo e responsabilidade
(1),
assim se expressou: - “O medo é agente de males diversos, que
dizimam vidas e deformam caracteres, gerando insegurança e
timidez ou levando a atos de violência irracional. Originário
no Espírito enfermo, pode ser examinado como decorrência de
três causas fundamentais: a) conflitos herdados da existência
passada, quando os atos reprováveis e criminosos desencadearam
sentimentos de culpa e arrependimento que não se
consubstanciaram em ações reparadoras; b) sofrimentos
vigorosos que foram vivenciados no além-túmulo, quando as
vítimas que ressurgiram da morte açodaram as consciências
culpadas, levando-as a martírios inomináveis, ou quando se
arrojaram contra quem as infelicitou, em cobranças
implacáveis; c) desequilíbrio da educação na infância atual,
com o desrespeito dos genitores e familiares pela
personalidade em formação, criando fantasmas e fomentando o
temor”.
O medo torna o
homem irresponsável, fraco e pusilâmine; cabe a ele o dever de
considerar frontalmente a questão e empenhar-se por vencê-lo
com todos os valiosos recursos ao alcance, como sejam a fé, a
oração e a prática de atos nobilitantes. O medo recua, na
razão direta em que a disposição de atuar se faz mais forte.
Editor
(1) “Temas da
Vida e da Morte” – Divaldo Franco
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