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O Mensageiro  -  Revista Espírita-Cristã do Terceiro Milênio 
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 ANO  11 - Nº. 127          Julho de 2010
 
 
  EDITORIAL  

        

Uma Vitória da Fé (1)

 

Entrevista concedida a Carlos A. Baccelli, publicada em “A Flama Espírita” Junho/87. Em 8 de Julho de 1987 Chico Xavier completou 60 anos de prática mediúnica.

 

Pergunta – Existe algum episódio de suas reminiscências que, particularmente, gostaria de lembrar agora aos companheiros de Doutrina que o amam tanto?
Chico Xavier – Lembro-me de um acontecimento que considero por vitória da fé.

Em 1928, as nossas necessidades de recursos materiais eram prementes e não víamos como solucionar o problema senão esperando pela misericórdia de Deus.

A situação era essa, quando, numa noite de preces, uma jovem tuberculosa nos procurou, rogando auxílio. Estava abatida e ofegante. Falou-nos das hemoptises que já sofrera. Pedia uma orientação do Dr. Bezerra de Menezes, que, nesse tempo, já nos estendia a caridade da sua atenção. Dr. Bezerra veio até nós e recomendou à moça diversas providências que lhe auxiliariam a cura. E, terminadas as instruções dele, disse, escrevendo por nossas mãos: “Filha, procure fazer o que lhe peço tomando a presente orientação por 30 dias seguidos”. A jovem chorou e disse que não dispunha de dinheiro algum para atender aos conselhos recebidos. Disse a ela que tivesse confiança, porque os recursos apareceriam.

Depois de um mês, a mesma jovem voltou às nossas preces, plenamente revigorada! Perdera o abatimento. Trazia a face rosada. Fui impelido a perguntar-lhe se havia obtido os recursos que nem ela e nem eu possuíamos, 30 dias antes. Sorrindo, ela me disse: “Chico, o Dr. Bezerra me aconselhou a usar as instruções dele por 30 dias. Não tendo o dinheiro, cortei o papel da orientação em 30 pedacinhos e, cada manhã, eu fazia uma prece, pedindo o amparo de Jesus, e engolia um dos pedacinhos com água de nossa casa. Ao fim dos 30 dias, bebi a receita do Dr. Bezerra, e o próprio médico que me tratou, a princípio, já declarou que estou perfeitamente restabelecida...”.

*

Definindo a fé, esclarece Emmanuel: “Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade”.

“Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer: “eu creio”, mas afirmar: “eu sei”, com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento. Essa fé não pode estagnar em nenhuma circunstância da vida e sabe trabalhar sempre, intensificando a amplitude de sua iluminação, pela dor ou pela responsabilidade, pelo esforço e pelo dever cumprido”.

“Traduzindo a certeza na assistência de Deus, ela exprime a confiança que sabe enfrentar todas as lutas e problemas, com a luz divina no coração, e significa a humildade redentora que edifica no íntimo do espírito a disposição sincera do discípulo, relativamente ao “Faça-se no escravo a vontade do senhor” (2).

 

Editor

 

(1) – Editora Espírita “Mensagens de Esperança”.

(2) – O Consolador

 

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