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Allan Kardec, "O
Bom Senso Encarnado"
Lembrando o adjetivo dado ao Codificador da Doutrina Espírita
por Camille Flammarion, narramos um fato acontecido que
justifica inteiramente aquela afirmação:
- Certa feita,
Kardec foi procurado por uma senhora que lhe mostrou uma
mensagem mediúnica recebida por ela mesma e assinada pelo
espírito Jobard, recomendando cobrar por suas atividades
mediúnicas, já que ela, no seu estado de viuvez, passava por
dificuldades financeiras. Jobard, como sabemos, na sua
condição de médium foi um dos colaboradores de Kardec na obra
da Codificação; agora, já desencarnado, continuava trabalhando
em prol da Doutrina.
Kardec
não respondeu de imediato, mas enviou cartas a diversos
médiuns na França e em outros países da Europa, solicitando
que os mesmos evocassem o Espírito Jobard, fazendo a seguinte
pergunta:
- É
correto um médium cobrar por suas atividades mediúnicas,
quando passem por dificuldades financeiras?
Após
algum tempo, as respostas foram chegando para Kardec e, em
todas (com ligeiras modificações na forma e não no conteúdo),
o Espírito Jobard dizia o seguinte:
“Jesus
nos recomendou dar de graça, o que de graça recebemos; que a
médium tivesse confiança, uma vez que outras maneiras
surgiriam para amenizar sua situação”.
É sempre
bom recordarmos as orientações de Kardec, contidas no Capítulo
XXVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
- Todo
aquele que conhece as condições nas quais os bons Espíritos se
comunicam, sua repulsa por tudo o que seja do interesse
egoístico, e que sabe quão pouca coisa é preciso para os
afastar, não poderá jamais admitir que os Espíritos estejam à
disposição de qualquer um que os chamasse a tanto por sessão;
o simples bom senso repele um tal pensamento. Não seria
também uma profanação evocar a preço de prata os seres que
respeitamos ou que nos são caros? Sem dúvida, pode-se, assim,
ter manifestações, mas quem poderia garantir-lhes a
sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, espertos e
toda a multidão de Espíritos inferiores, muito pouco
escrupulosos, vêm sempre, e estão sempre prontos para
responder ao que se lhes pergunta, sem se importarem com a
verdade. Aquele, pois, que quer comunicações sérias, deve
primeiro pedi-las seriamente. A primeira condição para se
conciliar a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o
devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e
material (Kardec).
Editor
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